Ensino Superior (prós e contras). Take 6…

O senhor ministro apresentou a lista das coisas que não foram feitas… (António Nóvoa)
O processo de Bolonha não está a ser atamancado. (Mariano Gago)
Senhor ministro, isso não corresponde à verdade! (Seabra Santos)
Eu já garanti aqui que… (Mariano Gago)

Ensino Superior (prós e contras). Take 4…

Os reitores das universidades são maus gestores. (Moniz Pereira)
Os reitores têm esperado sentados que a árvore das patacas abane ! (Moniz Pereira)
Tu coças as minhas costas para eu que coce as tuas! (Moniz Pereira)
O senhor ministro fez: nomeou três comissões! (Moniz Pereira)

Ensino Superior (prós e contras). Take 2…

Existem muitos desperdícios no ensino superior. (Mariano Gago)
O ensino superior tem estado a ser mal avaliado. (Mariano Gago)
O sistema de avaliação do ensino superior está errado. (Mariano Gago)
Sinto uma grande incomodidade em que o ensino superior seja discutido numa lógica de cultura das despesas. (Adriano Moreira)
As despesas com o ensino e a investigação são despesas de soberania. (Adiano Moreira)
Estas matérias têm sido tratadas, senhor ministro, com alguma leviandade. (Adriano Moreira)

Ensino Superior: prós e contras… (Take 1)

Portugal chegou tarde ao ensino superior e à educação (Mariano Gago).
Temos mais de mil licenciaturas só no ensino público. Pode ser? (MarianoGago).
Toda a gente devia estar a fazer planos para o futuro. (Moniz Pereira)
O problema não são as palavras: são as políticas. (António Nóvoa)

Ai se ela contasse tudo o que tem visto e ouvido!…

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Lançou e mantém, com uma teimosia singular, a rede de bibliotecas escolares. Lidou com vários ministros e ministras e sobreviveu a todos e a todas. É uma mulher do caraças, como diriam os nortenhos. Guarda a ironia para a intimidade, mas se um dia contasse tudo o que tem visto e ouvido, o país ficaria em estado de choque e exigiria a extinção sumária do Ministério dito da Educação. Tenho muito respeito e apreço por Teresa Calçada, aqui fotografada por Luiz Carvalho, para o Expresso, há mais de dez anos.

Palavras imensas que esperarão sempre por ti…

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YOU ARE WELCOME TO ELSINORE
Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício
Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsinore
E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmos só amor só solidão desfeita
Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar

Mário Cesariny de Vasconcelos

Os poetas morrem sempre um pouco mais…

todos dizem que não morreste
a desvantagem de ser poeta
é teres cancro e findares
e haver caixão e flores
o vislumbre da tua face cavada no tempo
já pálida para nunca mais
e todos negarem com os teus poemas na mão
o Cesariny não morreu!
e recitam e citam e lembram
que os poetas não morrem
há o corpo no caixão
serve apenas para dizer
que não morreste
mas eu digo-te que morreste
nunca soube a tua morada e continuo a não saber
suspeito até que já te tinha matado
mas tu não te importaste
e agora muito menos
eu leio-te
eu sou a morte
deixa-me fazer uma pergunta
não sei em que colo a deposite
o teu está tão frio
como é que te dispuseram as mãos?

Ana Saraiva