Antologia poética (370)…

Improviso retrospectivo…
Não há memória que o fogo não queime
já fui o teu senhor e o teu escravo
numa gramática com normas
que só nós próprios conhecíamos
e já fui muito mais do que isso
um pedaço mesmo da eternidade
quando velozmente te vinhas.
Ademar
06.05.2006
publicado em abnoxio3.blogs.sapo.pt

Diário em forma de silêncio (65)…

Nunca usei para te dizer a palavra mais puta de todas: amor. Foste tu que me ensinaste… e eu aprendi. Há palavras que nos fazem corar por dentro. O amor não anda por aí a servir às mesas da vida fácil. A rotina do alterne desafina-a.
C.A.

Antologia poética (369)…

Improviso sobre a semente da imortalidade…
Não espera por nenhuma primavera
uma dissonância atrai-a
faz-se então ao corpo
semeia-se e deixa-se crescer
um dia
imortalizamo-nos com ela.
Ademar
07.05.2006
publicado em abnoxio3.blogs.sapo.pt

Antologia poética (368)…

Improviso com lágrimas ao fundo…
Não há suicídios perfeitos
não há palavras imortais
sobreviveste
quando falhaste
talvez tenhas querido chegar
cedo de mais
ao princípio de tudo
essa nebulosa de ausências
a que faltava simplesmente
a assinatura desejante de uma mãe
digo-te
a morte retroactiva
suspensa dos violinos e dos violoncelos que te tocam
em baixo contínuo
é o mais pesado dos teus fardos.
Ademar
09.05.2006
publicado em abnoxio3.blogs.sapo.pt